Você já ouviu falar em SEL?

SEL significa Social and Emotional Learning, ou em português, Aprendizagem Socioemocional.

A Aprendizagem Socioemocional é um processo educacional que desenvolvem habilidades mentais para entender e gerir as emoções. Essas habilidades mentais são fundamentais para estabelecer objetivos realistas, para cultivar relacionamentos duradouros, para demonstrar empatia pelos outros, para tomar decisões e resolver problemas de forma construtiva e ética.

SEL nasceu nos Estados Unidos com a implementação de programas de aprendizagem socioemocional nas escolas, na década de 90. Hoje programas de SEL são aplicados por diferentes países, desenvolvendo as habilidades mentais das crianças.

O desenvolvimento socioemocional das crianças influencia todas as outras áreas do desenvolvimento: cognitivo, motor, e desenvolvimento da linguagem e, todos estes desenvolvimentos, são fortemente influenciados por como a criança se sente e como ela é capaz de expressar suas ideias e emoções.

Profissionais definem o desenvolvimento socioemocional em crianças pequenas como sendo a saúde mental na primeira infância. O desenvolvimento socioemocional saudável inclui a capacidade de:

  • Formar e manter relações positivas
  • Experimentar, gerenciar e expressar emoções
  • Explorar e interagir com o ambiente

As crianças com habilidades socioemocionais bem desenvolvidas são mais capazes de:

  • Expressar suas ideias e sentimentos
  • Demonstrar empatia para com os outros
  • Gerir seus sentimentos de frustração e decepção com mais facilidade
  • Sentir-se confiante
  • Fazer e cultivar amizades mais facilmente
  • Ter melhor aproveitamento escolar

No Brasil, há alguns programas educacionais de aprendizagem socioemocional no ambiente escolar, como por exemplo o Programa Compasso e a Escola da Inteligência.

O Programa Compasso Socioemocional é uma adaptação brasileira do programa Second Step, desenvolvido pelo Committee for Children. O Second Step já foi traduzido, adaptado e implementado em 12 países. A versão em inglês do programa já foi utilizada em mais de 70 países.

A Escola da Inteligência é um programa educacional, com mais de 450 escolas conveniadas, fundamentado na Teoria da Inteligência Multifocal, elaborada pelo Dr. Augusto Cury.

Esses programas educacionais funcionam como uma espécie de caixa de ferramentas onde as crianças aprendem a utilizá-las para conhecer melhor suas emoções e saber lidar com elas. Será que a escola do seu filho se preocupa com isso?

Mas a escola não é a única responsável por ensinar as crianças a lidar com as suas emoções e, os pais, têm um papel fundamental nesse desenvolvimento. Leia mais sobre o assunto em Como o Afeto dos Pais Ajuda na Formação dos Filhos e 5 Dicas para Escolher uma Escola para o Seu Filho.

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Dicas para Evitar Crises Nervosas Fora de Casa

Durante um passeio longo ou uma viagem, toda a família sai da rotina e bagunça os horários de descanso e refeição. No entanto o sono, a fome e o cansaço são elementos perfeitos para desencadear uma crise.

Se você vai sair para passear com o seu filho, com certeza você quer aproveitar bastante o tempo que passarem juntos, certo? Então, aqui estão algumas dicas para o seu passeio ser tranquilo e divertido para todos.

Tenha sempre comida por perto: em geral as crianças perdem o controle quando estão com sono, cansadas ou com fome. Se você está saindo para um passeio longo ou uma viagem de férias cansativa, leve sempre com você água e comida e o incentive a ter alguns momentos de descanso. A hora do piquenique, além de prazerosa, é uma oportunidade para o seu filho parar um pouquinho e descansar.

Não perca para o seu filho: isso as vezes parece impossível, mas tenha em mente que nós adultos somos mais experientes que nossos filhos e portanto mais espertos que eles. Se o seu filho insiste em algo até conseguir e acaba te vencendo pelo cansaço, proponha uma alternativa que ele aceite, dessa forma você é que ganha a disputa, e não ele. Só entre na batalha se for pra ganhar. Se você não está com paciência para manter a sua posição até o final, ceda logo e deixe ele fazer o que está pedindo.

Não tente impor limites quando as crianças estão cansadas: é muito normal querermos repreender um mau comportamento, principalmente se estivermos em público, onde o pai ou a avó estão presentes e cobram de nós uma atitude mais dura com a criança. São nos momentos de cansaço que as crises acontecem com mais frequência e, se elas já estão cansadas, há grandes chances de você perder essa batalha. Se você se interessou por esse assunto, leia também o meu post A Melhor Hora para Educar o Seu Filho.

Não crie expectativas exageradas: se vai fazer uma viagem para a Disney, por exemplo, é normal criarmos expectativas, mas tenha em mente que vocês terão momentos maravilhosos e outros chatos e desgastantes, como em qualquer viagem. Fazendo isso, estará preparada para lidar com as situações difíceis sem perder a esportiva e ficar frustrada quando algo der errado. Se um voo atrasar, uma mala extraviar, um carro quebra ou o seu marido ficar estressado, mantenha a calma e o bom humor, pois tudo vai se resolver. Dessa forma, poderão aproveitar os momentos bons que terão juntos e na volta terão várias estórias “engraçadas” pra contar.

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A Melhor Hora para Educar o seu Filho

Em geral, são nos momentos de sono, fome e cansaço que a criança fica mais chata e tem comportamentos inadequados. Nessa hora, é muito comum os pais tentarem impor limites à criança e, normalmente, esses são os piores momentos para se fazer isso.

Quando a criança está cansada, ela não responde adequadamente aos “comandos” dos pais porque já esgotou a sua capacidade de autocontrole. Se cobrarmos dela um determinado comportamento quando ela já não tem mais capacidade de resposta, ela acaba deixando as suas emoções dominarem a situação e pode entrar em crise. Os pais, além de perderem a “batalha” travada hora errada, acabam por se sentir frustrados e perdidos e culpados.

Então, qual é a solução? E se o meu filho bater numa pessoa? Eu não vou exigir que ele peça desculpas? Não. Definitivamente essa é uma situação que, não importa se o seu filho está cansado ou não, você não vai deixar que ele bata em alguém sem ser repreendido. Porém, é importante que a situação seja quebrada, senão ele vai acabar fazendo novamente justamente por que está cansado.

Se eu não devo educá-lo na hora que ele faz algo errado, quando vou fazer isso? Bom, é aí que está a chave do negócio. Você precisa ensinar o seu filho a ter autocontrole quando está descansado e pronto para aprender e não no momento de crise. No meu post Ensinando o Seu Filho a Controlar Suas Emoções eu dou algumas dicas de como fazer isso por meio de brincadeiras simples e divertidas.

Pesquisas científicas comprovam que o autocontrole traz inúmeros benefícios para a criança ao longo da sua vida. Além de controlarem a si mesmas, elas são capazes de compreender melhor os sentimentos dos outros e tem maior capacidade de tomar decisões.

Daniel Goleman em seu livro Focus mostra os benefícios de se adotar um programa de Aprendizagem Social e Emocional (SEL – Social and Emotional Learning) nas escolas. O autor Augusto Cury, em seu livro, Ansiedade – Como Enfrentar o Mal do Século, fala sobre como nós falhamos em educar os nossos filhos para lidar com suas emoções e evitar que a ansiedade se torne um problema na vida deles.

Como pais de uma nova geração podemos ser expectadores e ver os nossos filhos em meio a um mar de informações desconexas, ou podemos atuar mais ativamente, ensinando-os a lidar com seus sentimentos, construindo pontes para tornarem-se pessoas emocionalmente preparadas para lidar com as situações difíceis da vida.

Inspire-se e mão à obra! Se você gostou deste post, deixe o seu comentário e compartilhe! Se você quer saber mais sobre o assunto, leia mais sobre 3 Regras para Minimizar as Crises Nervosas do Seu Filho.

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Quando a Pirraça Vira Crise Nervosa

Em geral, a criança faz pirraça quando é privada de algo que ela quer como por exemplo, um brinquedo, jogar vídeo game ou comer gostosuras. Em seguida a criança começa a fazer “feiura” para chamar a atenção: chamar a mãe de “mentirosa”, dizer “isso não é justo” ou “você nunca me deixa fazer isso”, chorar, gritar, bater, se jogar no chão, se debater, etc. Neste ponto o seu filho já perdeu o autocontrole.

Não se desespere. Inspire fundo e vamos lá! Aqui estão alguns passos para ajudar a acalmar a criança. Se o passo 1 não funcionar, tente o passo 2 e assim sucessivamente.

Passo 1: não dê atenção a comportamentos indesejáveis. A minha primeira tentativa é ignorar a criança. Se ela só está querendo chamar a atenção, ignorando o seu mau comportamento não estará dando a ela o que quer: atenção. Assim você ganha e, como a tentativa de chamar a sua atenção não deu certo, a tendência é ela parar o “chilique”.

Passo 2: peça pra a criança para respirar. Um exercício que eu gosto de fazer com o meu filho de 4 anos, quando ele chega nesse ponto, é pedir para ele respirar fundo dez vezes. Prestar atenção na respiração faz com que ele foque em algo diferente e se acalme.

Passo 3: coloque ela num canto para pensar. É importante que a criança aprenda a se acalmar sozinha e uma forma de fazer isso é cortar os estímulos externos. Coloque a criança em algum lugar, pode ser sentadinha num banco ou mesmo num degrau, fique no nível da criança e repita o passo 2. Peça para ela se acalmar e para ninguém falar com ela por algum tempo. Dê a ela de 3 a 5 minutos até que ela se acalme. Se ela bater uma porta ou chutar a parede, ignore, pois afinal, ela quer sua atenção.

Passo 4: mude de assunto. Quando a pirraça se transformou numa crise nervosa, muitas vezes a criança demora pra se acalmar. Depois que ela se acalmou, pode ser que ela ainda chore “lembrando” da tristeza que ela sentiu. Nesse momento é importante distrair a criança com alguma coisa. Conte uma piada, fale de um personagem que ela goste, faça cosquinhas, enfim, vale qualquer coisa pra ela dar um sorriso e sair do estado emocional que ela se encontra.

Passo 5: peça ajuda. Se você está super cansada e estressada, muito provavelmente você não é a pessoa mais indicada para ajudar o seu filho neste momento. É muito normal nós ficarmos frustradas por causa disso, mas, as vezes sair de cena e chamar alguém próximo pode ser uma saída menos sofrida pra todo muito. Isso não é o fim do mundo e você terá muitas outras oportunidades de ajudar o seu filho quando estiver se sentindo melhor.

Esses passos vão te ajudar a agir quando o seu filho entrar em crise, mas cada criança reage de uma forma diferente. Portanto, se não funcionou com você, seja criativa e pense em outras maneiras para ajudá-lo a se acalmar. Se você tem alguma técnica que deu certo com o seu filho, compartilhe com a gente!

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Ensinando o Seu Filho a Controlar Suas Emoções

Para praticar o autocontrole é necessário que a criança reconheça os seus sentimentos. Depois ela vai precisar saber como lidar com as suas emoções. Neste post eu proponho utilizar algumas técnicas simples para ajudar os nossos filhos neste processo.

Reconhecendo os Sentimentos

Uma forma de trabalhar a auto percepção da criança é utilizar carinhas que expressem os diferentes sentimentos: raiva, medo, alegria e perguntar para ela como está sentindo naquele momento e o que sentiu num determinado momento de crise.

Preparei umas cartas de sentimentos para você jogar com o seu filho e falar sobre suas emoções. Você pode imprimir 2 vezes e jogar como jogo da memória ou mímica, onde um adivinha a cara que o outro está fazendo.

Essa brincadeira, além de divertida, vai ajudar a criança reconhecer seus próprios sentimentos. Quando ela se sentir frustrada, peça para ela respirar fundo, pergunte qual o problema e como ela se sente.

Lidando com as Emoções

O segundo passo é ensinar a criança como lidar com as suas emoções. O que ela deve fazer quando estiver com medo ou com raiva? Se jogar no chão, bater, chorar ou fugir, não vai resolver a situação. Uma forma de fazer a criança refletir sobre o seu comportamento é utilizar um sinal de trânsito. Esse exercício foi criado pelo psicólogo Roger Weissberg, na década de 80, como parte de programa pioneiro chamado “desenvolvimento social” para escolas públicas de New Haven. Hoje, essa técnica é utilizada por milhares de escolas em todo o mundo e você pode utilizá-la também.

  • O vermelho significa: pare e se acalme.
  • O amarelo significa que ela deve pensar nas possíveis formas de resolver o problema e escolher a melhor.
  • O verde é o sinal para ela tentar fazer o que ela planejou e ver se funciona.

Desenhe um sinal de transito com a criança e peça para ela se lembrar do sinal quando estiver se sentindo frustrada. Dê um exemplo de uma situação real que vocês tenham vivido e construam a solução juntos. Por exemplo: lembra no sábado, na casa da vovó, que a mamãe disse que você não podia comer gostosura antes de almoço (situação de fome) e que você ficou com raiva e chorou muito? Então, quando você chorar, eu quero que você se lembre do sinal vermelho, que significa parar. Toda a vez que você sentir raiva, a gente vai parar e respirar fundo 3 vezes.

A próxima luz do sinal é o amarelo: que é quando a gente vai pensar em como resolver a situação. O que a gente pode combinar para não brigar por causa da gostosura? Aqui vocês têm que construir uma solução que seja factível e principalmente que você “ganhe” da criança, ou seja, que ela vai fazer o combinado. Para que funcione, as vezes temos que ceder um pouco na negociação. Faça um combinado! Que tal se a mamãe deixar você comer um tic-tac antes de almoço (afinal o que é uma balinha de tic-tac?) depois que você comer tudo, você pode comer a gostosura? Assim, a criança vai fazer o que você quer e vai ficar satisfeita porque foi ouvida e parcialmente atendida.

Pondo em Prática

O terceiro passo e mais importante é pôr em prática. O que você fez com o seu filho foi construir um caminho para ajudar vocês dois a sair de uma determinada situação de uma forma aceitável para os dois. Então é importante que você seja consistente e, no momento em que a situação aparecer você cobre dele executar o plano que vocês construíram. Lembre-se dos passos e tenho certeza que vocês vão se sair bem.

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3 Regras para Minimizar as Crises Nervosas do Seu Filho

Você já se sentiu perdida e frustrada quando, de repente, aquele passeio no parque, ou aquela viagem tão esperada com o seu filho, se transformou num verdadeiro caos? Então fique tranquila. Você é só uma mãe normal que tem que lidar com situações onde o seu filho perdeu o controle, e talvez, você também!

Depois que passa aquele momento de frustação e fracasso, vem a questão? O que eu fiz de errado, e o que posso fazer diferente?

Quando vamos buscar ajuda, geralmente lemos textos muito bem escritos sobre como impor limites para o seu filho e como isso é importante para que ele cresça de forma saudável. Então, nós mães, sempre buscando o que é melhor para os nossos pimpolhos, nos enchemos motivação, coragem e paciência para educá-los e tentar colocar em prática o que aprendemos.

Mas, na hora “H”, dá tudo errado, toda a teoria vai por água abaixo e a gente acaba histérica, gritando com a criança e parece que nada do que a gente fez, com tanto esforço e cuidado, adiantou.

Tenho um filho de 4 anos que perde o controle várias vezes e me dá bastante trabalho. Para tentar ajudar pais e mães com problemas desse tipo, elaborei algumas regrinhas para minimizar as crises nervosas do seu filho baseado na minha experiência e observação.

Regra nº 1: evite as crises. Essa é a regra número 1 e a mais difícil de todas. Afinal, se o seu filho não tem crises nervosas você não estaria lendo esse post. Por isso escrevi um post dedicado para te ajudar a evitar as crises nervosas do seu filho.

Regra nº 2: uma vez na crise, tente acalmar o seu filho e a você mesma. A segunda regra é bem óbvia, mas as vezes acalmar uma criança não é tarefa fácil e ficamos esgotadas tentando várias maneiras de fazê-lo. É nesse ponto que nos sentimos frustradas vendo os nossos pimpolhos sofrendo sem conseguir ajudá-los de forma eficiente. No meu post Quando a Pirraça vira Crise Nervosa escrevo sobre 5 passos que podem ser úteis para acalmar o seu filho.

Regra nº 3: depois da crise, ajude o seu filho a controlar suas emoções, assim você estará reforçando a regra nº1. A terceira regra é a mais importante de todas. São nos momentos gostosos com o seu filho que você poderá ensinar a ele a entender o que ele sente e construírem juntos um caminho para ele controlar as suas próprias emoções.

Quando estava viajando com o meu marido em Ushuaia, numa van a caminho da estação de esqui, um cara muito engraçado falou o seguinte: “filho é que nem videogame, tem várias fases e a fase seguinte é sempre mais difícil que a anterior”. Achei essa frase incrível, pois é uma grande verdade.

Temos que curtir cada fase dos nossos filhos. Amar é educar e, é na primeira infância que vamos ensinar os nossos pequenos a lidar com as frustrações e prepará-los para a fase seguinte!

Se você gostou deste post, deixe o seu comentário e compartilhe! Se você quer saber mais sobre o assunto, leia mais sobre as 3 regras clicando nos links acima.

Como Funcionam as Escolas na França

Quando a gente muda de país e de cultura, até a mais simples providência se torna complexa. Isso porque não temos conhecimento de como as coisas realmente funcionam naquele país. Durante a minha estadia na França, precisei matricular as crianças na escola e lidar com uma série de situações desconhecidas para mim. Resolvi escrever esse post para ajudar as pessoas a se familiarizarem com o sistema de ensino Francês e antecipar algumas situações que podem ocorrer na vida real. Espero que você goste, então, inspire fundo e boa leitura!

O sistema de ensino na França é parecido com o brasileiro e é divido em 4 etapas: École Maternelle que corresponde à educação infantil, École Élémentaire e Collège que equivalem ao ensino fundamental (antigo primário e ginásio) e Lycée que é o nosso ensino médio.

Em geral as crianças entram no maternal aos 3 anos e há creches que abrigam as crianças com menos de 3 anos. Em razão da grande demanda, é muito difícil conseguir vagas em creches e, em geral, somente as mães que já estão empregadas, são contempladas. Portanto, se o seu filho tem menos de 3 anos é melhor você se planejar para cuidar dele e se der sorte você poderá conseguir uma vaga numa creche duas vezes por semana.

Na França há escolas públicas e privadas. As escolas privadas em geral não são muito caras, pois o corpo docente é pago pelo estado e os pais arcam apenas com os custos administrativos. As escolas públicas são gratuitas, mas a alimentação e o centro de lazer são serviços pagos à parte.

Para facilitar o entendimento do sistema escolar, selecionei alguns itens que acredito que podem ser úteis pra você: qual é o período escolar, quais são as entidades que funcionam dentro da escola, como funciona o calendário escolar, como fazer pagamentos e como mudar de escola se um dia você precisar.

Período das Aulas: as aulas são de segunda à sexta em período integral, exceto às quartas-feiras, que as crianças têm aulas apenas durante o período da manhã. As escolas oferecem ainda atividades extracurriculares e refeições no horário de almoço.

Entidades Dentro da Escola: eu demorei um certo tempo para entender quem era quem dentro da escola. Isso porque, na realidade, as escolas francesas abrigam 3 entidades diferentes: a escola propriamente dita, o centro de lazer e a cantina, e cada uma delas tem um responsável diferente.

  • A Escola: é coordenada pela diretora (que também é professora) e é a entidade responsável pelos alunos durante o período de aulas (entre 8h30 às 11h30 e das 13h30 às 16h00).
  • O Centro de Lazer (ALAÉ – Accueil de Loisirs Associé à l’École): é uma entidade que trabalha com animadores que cuidam das crianças antes e depois do período das aulas e na pausa do meio-dia (das 7h30 às 8h30, das 11h30 às 13h30 e das 16h00 às 18h30). O centro de lazer também oferece atividades para as crianças que precisam ficar na escola durante às tardes de quarta-feira e durante os períodos de férias.
  • A Cantina (restauration scolaire): é a entidade responsável por oferecer almoço às crianças. São refeições completas com entrada, prato principal e sobremesa e uma boa oportunidade para o seu filho interagir com os colegas e provar os sabores da culinária francesa.

Calendário Escolar: o início das aulas ocorre em setembro e termina no final de Junho. Se prepare para ter os seus filhos de férias a cada 2 meses de aula. Diferentemente do Brasil, os franceses têm 4 férias de duas semanas (de Ação de Graças, de Natal, de inverno e de primavera), mais as férias de verão, que duram cerca de 2 meses (julho e agosto). O período de férias é defasado de acordo com a região da França. Isso é feito para aumentar o período de turismo e otimizar a ocupação de os hotéis e restaurantes na alta temporada. Para programar os seus passeios, consulte o calendário escolar para saber quando os seus filhos estarão de férias.

Pagamentos: caso você opte por deixar o seu filho almoçar na escola e participar das atividades oferecidas pelo centro de laser, você precisará pagar por esses serviços. A alimentação é paga diretamente para a prefeitura por uma fatura que vai chegar no seu endereço e as demais atividades são pagas para o centro de lazer na escola. Como tudo na França, esses serviços são “cotizados”, o que significa que o valor a ser pago depende da sua renda familiar. Portanto, mesmo que você pretenda ficar pouco tempo, você precisará se cadastrar num órgão chamado CAF – Caisses d’Allocation Familiale apresentando todos os documentos da sua família. Apenas após esse cadastro você vai conseguir fazer os pagamentos relacionados à escola.

Como mudar de escola: Caso não goste da escola, o melhor caminho é conversar com a diretora da escola que gostou e estudar a possibilidade de mudar. Se ela disser que há vaga para o seu filho, você vai precisar fazer um pedido de troca de escola (demande de dérogation) na Mairie. É importante conversar antes pois, uma vez que der entrada no pedido, primeiro eles irão disponibilizar a sua vaga e depois vão tentar te realocar na escola desejada. Funciona como uma dança das cadeiras e conversar antes com a diretora vai reduzir o risco do seu filho ficar sem vaga.

Se esse post foi útil para você, deixe o seu comentário e compartilhe! Se você procura dicas para morar na França, consulte o meu post 6 Dicas para Facilitar a sua Mudança para a França Levando sua Família.

Para saber mais sobre educação na França, consulte o site oficial do Ministério da Educação e o site da prefeitura (mairie) da cidade onde irá morar. Apesar da língua, com o seu português, um pouquinho de boa vontade e a ajuda de um tradutor, tenho certeza que você se sairá bem.

Boa sorte nas suas pesquisas e até logo! Bonne chance dans vos recherches et à bientôt!

O Que Você Precisa Fazer para Morar França

Agora que já conversamos sobre as providências essenciais para a sua viagem e sobre as coisas que você precisa organizar no Brasil, vou dar algumas dicas sobre o que vai precisar fazer quando chegar na França.

Se tiver a oportunidade de visitar a cidade onde irá morar antes de se mudar de “mala e cuia”, melhor. Se não, não se preocupe! Uma vez lá as coisas acabam se resolvendo da melhor forma possível.

Para te ajudar a entender como funcionam as coisas na França, selecionei alguns tópicos importantes como: moradia, escola, banco e seguros. Espero que você goste!

Moradia: decidir alugar um imóvel não é tarefa fácil nem no nosso país de origem, imagine em outro país e em outra língua! Separei esse assunto em 2 tópicos: onde morar e como alugar um imóvel.

  • Onde morar: essa é uma decisão difícil, pois envolve muitas variáveis. Comece estudando o mapa da cidade e se familiarize. Localize onde é o centro, onde irá trabalhar ou estudar e as estações de metrô, trem, tram e ônibus. Em geral o centre ville é mais bem servido de transportes, por outro lado é mais caro, barulhento e difícil de conseguir imóveis com garagem. Se você está viajando com sua família, aconselho um bairro nas proximidades do centro e que seja servido por uma estação de metrô. Como adoro atividades ao ar livre, gosto de avaliar também a proximidade de parques levar as crianças.
  • Como Alugar: os Franceses adoram comprar e vender tudo no Leboncoin e para alugar um apartamento não é diferente. Faça algumas pesquisas no site para ter uma noção de preço x localização. Eles não são muito bons em se comunicar por e-mails, mas respondem bem ao telefone ou usando SMS. Se o seu francês não é muito afiado, prefira as mensagens e use um tradutor para te ajudar a escrever. Essa é uma boa forma de aprimorar a língua, além de ter mais sucesso nas suas negociações, mesmo que no fim você acabe recorrendo ao inglês. Se você pretende ficar um período inferior a dois anos, sugiro alugar um apartamento mobiliado. Em geral os apartamentos mobiliados são alugados com as contas de água, luz, TV à cabo, internet e telefone incluídos (incluindo ligações ilimitadas para fixos no Brasil). Isso vai te poupar bastante tempo (para montar um apartamento) além de ser mais fácil na hora de voltar. Afinal, a menos que você tenha direito à uma mudança paga pela empresa, na volta você terá que se virar com algumas poucas malas por pessoa!

Banco: independentemente onde você vai receber o seu dinheiro, sem dúvida você vai precisar abrir uma conta num banco francês para ter um RIB (Relevé d’Identité Bancaire) que funciona como uma identidade bancária. Diferentemente do Brasil, na França eles não usam cartão de crédito. Quando pedi ao meu banco BNP Paribas um cartão de crédito, a atendente me olhou com estranheza e perguntou porque eu precisava de um. Para te darem um cartão de crédito você precisa pegar um empréstimo no banco, então o melhor é levar o seu cartão de crédito do Brasil para qualquer eventualidade. Eles usam a Carte Bancaire (CB) que é um cartão de débito e muitos lugares aceitam somente esse cartão, como pedágios por exemplo. Se você quiser mudar a data da fatura do CB é só pedir no banco um carte bancaire à débit différé, que ele vai funcionar como se fosse um cartão de crédito no Brasil.

Celular: assim que abrir a sua conta no banco contrate um plano de celular. Com certeza você vai pagar bem mais barato que no Brasil e terá um serviço de ótima qualidade. Um smart phone é essencial para você resolver as suas coisas mesmo quando está fora de casa. Algumas lojas podem exigir que você leve o carimbo do OFI, que demora cerca de 6 meses pra você conseguir. Se for esse o caso, simplesmente mude de loja ou até mesmo de operadora até que eles aceitem a documentação que você tem.

Escola: nas grandes cidades você vai encontrar escolas bilíngues mas, em geral, as crianças francesas estudam em escolas públicas. Portanto, se a sua intenção é imergir na cultura francesa, essa é a melhor alternativa. Quando chegar procure a Mairie para inscrever o seu filho na prefeitura e eles vão alocar uma vaga pra ele na escola mais próxima do seu endereço. Uma vez inscrito, a próxima etapa é fazer a matrícula na escola selecionada. Se você quiser saber mais sobre o funcionamento das escolas na França, clique aqui para ler mais sobre esse assunto.

Seguros: você vai precisar de um seguro de saúde, um seguro de habitação e um seguro escolar. Se opcionar por comprar um carro, você também terá que contratar um seguro (assurance auto).

  • Assurance Santé: O sistema de saúde da França pública da França se chama Assurance Maladie é “cotizado”, ou seja, paga-se proporcionalmente ao salário. Se você tem um bom salário, essa não será uma boa opção (muito caro) e o melhor mesmo será contratar um seguro saúde ou um seguro viagem por todo o período. Peça ajuda à sua escola ou ao lugar que você vai trabalhar para entender quais são suas opções, pois elas variam bastante com a idade e a cobertura desejada.
  • Assurance Habitation: o seguro de habitação é obrigatório e pode ser feito em seguradoras como Allianz, ou em conjunto com o seguro escolar.
  • Assurance Scolaire: para seus filhos frequentarem a escola eles vão precisar de um seguro específico. Uma das maiores seguradoras da França para esse tipo de seguro é a La Mae. A escola oferece vários passeios para as crianças mas elas somente podem ir se tiverem um seguro escolar que cubra responsabilidade civil e individual corporal. Esse seguro é bem barato e você pode escolher a cobertura básica para atividades escolares ou a completa que cobre acidentes nas férias também.
  • Assurance auto: O seguro do carro funciona de forma similar ao brasileiro e tem descontos progressivos. Dessa forma, peça à sua seguradora no Brasil uma carta comprovando o tempo que você está segurado sem sinistros e isso vai te ajudar a conseguir uma tarifa melhor. Tem sites na internet que comparam várias empresas e te informam onde o seu seguro ficará mais barato (por exemplo Assurland).

É, realmente é muita coisa e os primeiros 15 dias com certeza serão intensos, cheios de dúvidas e inseguranças. Mas não desanime, tudo vai valer a pena! E o lado bom é que você só vai ter que pensar nessas coisas novamente na hora de voltar.

Inspire fundo, arregace as mangas e vá em frente. No fim do arco-íris tem um pote de ouro esperando por você, e com certeza, as dificuldades farão parte da bagagem que vai trazer de volta, junto com os momentos inesquecíveis que você e a sua família irão viver. Aproveite e tenha sempre a certeza de se fizer a sua parte, tudo vai dar certo.

Bonne chance et à bientôt!

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Como se Preparar para Morar Fora do País

No meu post 6 Dicas para Facilitar a sua Mudança para a França levando sua Família eu falei sobre como é necessário focar nas providências essenciais para viabilizar a sua viagem. Mas é claro que tem mais um montão de coisas pra fazer antes de viajar.

Então, vamos lá! Lembra aquela lista que você fez? Agora vamos atacar os itens classificados como providências no Brasil, ou seja, todas as coisas que você precisa fazer para deixar a sua vida organizada e sua viagem correr o mais tranquila possível.

Pense no que você pretende fazer com as suas coisas no Brasil que te geram gastos mensais ou que podem te gerar alguma renda enquanto estiver fora: carro, casa, vaga de garagem, título de clube, contas de telefone, luz, etc. Se livre do maior número de despesas possível e aproveite as oportunidades para ter alguma renda enquanto tiver fora.

  • Residência: se você mora de aluguel, vai precisar cancelar o seu contrato e dar um fim para os seus pertences. Guarde o que for essencial na casa de algum parente ou amigo e use essa oportunidade para se desfazer do restante. Se tiver muitas coisas das quais não pretende se desfazer, provavelmente vai precisar alugar um box para guardá-las. Se tem residência própria, você pode fechar, alugar ou vender. Tenha em mente que, mesmo que decida fechar o seu apartamento, alugar a sua garagem pode te render alguma coisa. Sua decisão deve levar em conta o tempo que vai ficar fora e a sua perspectiva de voltar a morar na mesma cidade quando voltar. De qualquer forma, muito provavelmente você não vai conseguir alugar ou vender antes da sua partida, então, o melhor é fazer contato com uma imobiliária para que ela possa te ajudar nesta atividade.
  • Carro: vender o carro poder ser uma boa ideia para juntar uma graninha extra pra viagem. Por outro lado, ficar à pé no Brasil antes de ir, pode ser extremamente inconveniente. Se decidir por manter o carro enquanto estiver fora, peça para um amigo ou parente ligar o carro pra você de vez em quando.
  • Escola: informe a escola das crianças sobre a viagem e peça alguma documentação que comprove que seu filho estava matriculado (como um histórico escolar por exemplo). Uma coisa que pode ser legal é organizar na escola uma festa de despedida para o seu filho. Além de ser um momento bom para ele lembrar, pode ajudá-lo a realizar que a viagem está chegando.
  • TV, telefone e internet: se livre do maior número de contas possível, mas você vai precisar desses serviços até as vésperas da viagem. Se informe sobre os procedimentos para cancelamento com antecedência, mas se algo der errado, são coisas que você pode fazer quando estiver lá.
  • Luz e gás: em geral esses serviços cobram uma taxa de reativação e dependendo do tempo que você ficar fora, pode ser interessante continuar pagando as tarifas mínimas e não ter esse abacaxi quando voltar.
  • Banco: informe aos seus cartões de crédito que você está saindo do país. Esse aviso de viagem tem que ser feito a cada 3 meses, para evitar que você fique sem acesso à eles. Informe à sua gerente que você está indo morar fora e peça informações sobre como fazer operações de câmbio. Cada banco trabalha de um jeito diferente e cobra tarifas diferentes para esse serviço, então vale a pena pesquisar as alternativas para tentar pagar menos taxas e impostos nessas transações financeiras.
  • Imposto de renda: você tem a opção de continuar declarando imposto de renda no Brasil ou fazer uma declaração de saída definitiva do país. Entre no site da Receita e se informe para saber qual a melhor opção para você.
  • Lidando com imprevistos: providencie uma procuração para uma pessoa de confiança para que ela possa tomar algumas providências na sua ausência, caso seja necessário.

Espero que esse post tenha te ajudado a pensar nas providências que você precisa tomar de forma organizada e estruturada. Se não der tempo de fazer isso tudo, não se preocupe! Hoje em dia é possível resolver muita coisa pela internet e pelo telefone e você poderá fazê-las quando chegar lá. Então, inspire fundo e mãos à obra!

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