Mudança, Força de Vontade e Autocontrole

Quando fazemos uma dieta para emagrecer e conquistar aquela forma física tão desejada, precisamos de uma boa dose de autocontrole e força de vontade para mudarmos nossos hábitos. Se não, como resistir àquele docinho depois do almoço?

Para entender melhor o que significa ter autocontrole, vou utilizar o exemplo dado pelos irmãos Heart, no livro Switch, sobre o comportamento de estudantes do ensino superior durante uma pesquisa de “Percepção do alimento”.

Os estudantes foram orientados a não comer por 3 horas antes do teste. Com um pouco de fome, eles se dirigiram para uma sala que estava com um cheirinho maravilhoso de biscoitos de chocolate saídos do forno. Na sala havia uma mesa com 2 pratos: um com os biscoitos quentinhos e chocolates, e outro com pedacinhos de rabanete.

Os pesquisadores explicaram que tinham escolhido biscoitos de chocolate e rabanetes por conterem sabores bem diferentes e que no dia seguinte eles seriam perguntados sobre sua memória do gosto e sensação que tiveram durante a degustação. Metade dos participantes foi orientada a provar 2 ou 3 chocolates, e a outra metade deveria comer 2 ou 3 rabanetes. Enquanto eles comiam, os pesquisadores saíram da sala para induzir os comedores de rabanetes a provar escondido os chocolates. Todos os participantes respeitaram a orientação e nenhum dos comedores de rabanetes caiu em tentação. Isso é a força de vontade em ação!

Depois que o “estudo sobre o gosto” havia terminado, outro grupo de pesquisadores começou a fazer um segundo estudo, supostamente não-relacionado. Estavam interessados em descobrir quem era melhor para resolver problemas, estudantes do ensino médio ou estudantes do ensino superior.

Dessa forma, os estudantes do ensino superior receberam uma série de exercícios complexos que exigiam que eles traçassem formas geométricas sem tirar o lápis do papel ou repassar o lápis em cima de qualquer linha já traçada. Na realidade os exercícios foram elaborados para serem insolúveis e os pesquisadores estavam interessados em ver o quanto os estudantes iriam persistir diante da difícil e frustrante tarefa, antes de finalmente desistirem.

Os estudantes “não tentados”, ou seja, que não tiveram que resistir à tentação de comer os deliciosos biscoitos de chocolate, levaram 19 minutos para executar a tarefa, fazendo 34 tentativas para resolver o problema. Entretanto, os comedores de rabanetes foram menos persistentes. Eles desistiram em apenas 8 minutos (menos da metade do tempo gasto pelos comedores de biscoitos) e fizeram apenas 19 tentativas de resolver o exercício. Porque eles desistiram tão fácil?

A resposta é surpreendente: eles esgotaram seu autocontrole. Em estudos como esse, psicólogos descobriram que autocontrole é um recurso esgotável. É como fazer levantamento de peso, o primeiro é fácil, quando seus músculos estão descansados. Mas com a repetição, seus músculos ficam exaustos até que você não consegue mais levantar o peso novamente. Os comedores de rabanetes drenaram o seu autocontrole resistindo à tentação de comer os biscoitos de chocolate e não tiveram força suficiente para tentar mais de 8 minutos.

Dezenas de estudos mostram a natureza exaustiva da auto-supervisão. Os comportamentos auto supervisionados, que exigem que utilizemos a razão, ou os circuitos do cérebro “top-down”, demandam esforço, raciocínio e são altamente cansativos. A sorte é que grande parte de nossas tarefas diárias ocorrem de maneira automática.

Quando dirigimos, por exemplo, fazemos tudo de forma automática e utilizamos os chamados circuitos “bottom-up” do nosso cérebro. Agora, se formos para a Inglaterra por exemplo e alugarmos um carro com direção do lado direito, num primeiro momento teremos que dirigir prestando atenção a cada movimento, acionando os circuitos “top-down”.

E o que isso tem a ver com a mudança? Quando as pessoas tentam mudar as coisas, geralmente elas estão mexendo com comportamentos que se tornaram automáticos e mudar esses comportamentos requer auto-supervisão e força de vontade. Elas precisam parar de utilizar os circuitos “bottom-up” do cérebro e passar a pensar como fazer da nova forma, utilizando os circuitos “top-down”.

Portanto, quando ouvimos dizer que mudar é difícil porque as pessoas são preguiçosas ou resistentes, isso não é verdade. De fato, o que ocorre, é que a mudança é difícil porque ela esgota as pessoas! “O que pode parecer preguiça, normalmente é exaustão”.

Então, antes de desistir de seus sonhos porque acha que não é capaz de mudar, se dê uma chance. Inspire fundo e pense de forma criativa, o que você pode fazer para tornar a mudança mais fácil?

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